Contorno corporal · Pós-bariátrica

Cirurgia plástica após grande perda de peso

Depois da cirurgia bariátrica ou de uma grande perda de peso, é comum que sobre pele em várias regiões do corpo: abdome, mamas, braços, coxas, costas e glúteos. Esse excesso não se resolve com exercício e pode causar desconforto, assaduras, dificuldade com roupas e com a higiene. A cirurgia plástica após grande perda de peso exige planejamento individualizado, avaliação nutricional, definição criteriosa das etapas e atenção especial à segurança, sobretudo à prevenção das complicações tromboembólicas.

Dr. Fernando Fernandes · Médico · CRM 101877-SP
Cirurgia Plástica RQE 27843 · Cirurgia Geral RQE 21998

Por que é diferente

  • A pele perdeu elasticidade. Depois de muito esticada, ela não se retrai como antes. Por isso, a lipoaspiração isolada raramente resolve, e o tratamento envolve retirar pele.
  • Várias regiões ao mesmo tempo. A sobra de pele costuma estar no corpo todo, e nem tudo pode ou deve ser feito em uma única cirurgia.
  • O organismo mudou. A cirurgia bariátrica pode levar a deficiências de vitaminas, ferro e proteínas, que interferem na cicatrização. A avaliação clínica e nutricional faz parte do planejamento.
  • As cicatrizes são maiores. Retirar muita pele exige cicatrizes mais longas. Elas são planejadas para ficar, sempre que possível, em áreas cobertas pela roupa, mas são permanentes e visíveis.

O momento certo

O planejamento cirúrgico habitualmente ocorre entre 12 e 18 meses após a cirurgia bariátrica, desde que o peso esteja estável há pelo menos 6 meses e as condições clínicas e nutricionais sejam adequadas. Esses prazos são referências habituais, e não critérios absolutos nem garantia de indicação.

Operar com o peso ainda em mudança ou com deficiências nutricionais aumenta os riscos e pode comprometer o resultado.

As cirurgias

  • Abdome. Abdominoplastia estendida ou em âncora (T invertido), conforme o padrão de sobra de pele. A diástase, quando presente, é corrigida pela plicatura da aponeurose dos músculos retos. Duração habitual de 3 a 4 horas. Saiba mais sobre abdominoplastia.
  • Tronco (torsoplastia). Tratamento circunferencial da parte inferior do tronco, incluindo abdome, flancos e região lombar. Duração habitual de 4 a 5 horas.
  • Glúteos. Podem ser reposicionados e remodelados, com prótese ou enxerto de gordura, quando indicado.
  • Mamas. Mastopexia, com ou sem implante. O tecido da própria mama pode ser remodelado por técnicas específicas, incluindo retalhos autólogos, e a prótese pode ser considerada para complementar o volume e o formato. Saiba mais sobre cirurgias das mamas.
  • Braços (braquioplastia). Retirada da pele que sobra nos braços, com cicatriz habitualmente localizada na face interna. Duração habitual de 3 a 4 horas.
  • Coxas (cruroplastia). Tratamento da pele que sobra nas coxas, com cicatriz na virilha e/ou vertical na face interna da coxa, conforme a indicação. Duração habitual de 4 a 5 horas.
  • Tórax masculino. Nos homens, a grande perda de peso também pode deixar sobra de pele no tórax, que pode ser corrigida cirurgicamente, conforme a avaliação.

Os tempos de cirurgia são estimativas habituais e dependem da extensão de cada caso.

Planejamento em etapas. O tratamento geralmente é dividido em etapas, com intervalo habitual de aproximadamente 4 meses entre as cirurgias. A sequência depende da extensão dos procedimentos, da recuperação, do estado nutricional e das condições clínicas, e também do que mais incomoda você.

A avaliação e o preparo

Na consulta

  • Sua história. Tipo e data da cirurgia bariátrica, quanto peso perdeu, há quanto tempo o peso está estável, doenças, medicamentos, suplementos e o que mais incomoda você.
  • Exame físico. Avaliação de cada região: pele, gordura residual, cicatrizes anteriores e hérnias.
  • Avaliação nutricional. Exames habitualmente solicitados: hemograma, ferro, proteínas, vitamina B12, folato, vitamina D e coagulograma. Outros exames podem ser pedidos conforme a avaliação individual. Deficiências identificadas são corrigidas antes da cirurgia.
  • Plano em etapas. Quais cirurgias, em que ordem, onde ficam as cicatrizes e o que é realista esperar.
  • Riscos e recuperação, com avaliação individual do risco de trombose e de sangramento.

Se houver indicação e você decidir seguir, a Vívian organiza a proposta, o hospital e as datas, e a Márcia acompanha os agendamentos.

Preparo

  • Peso estável e acompanhamento nutricional.
  • Correção de deficiências de vitaminas, ferro e proteínas, quando presentes.
  • Tabagismo. A suspensão antes e depois da cirurgia é parte do preparo, no prazo orientado em consulta.
  • Medicamentos e suplementos. Tudo o que você usa é revisado.
  • Terapias complementares. Podem ser consideradas em situações clínicas específicas, mediante avaliação individual.

A cirurgia

  • Onde. Em hospital. Operamos nos hospitais São Luiz, Samaritano Paulista, Vila Mariana Day e Blanc, escolhidos conforme o procedimento, a disponibilidade e a necessidade clínica.
  • Anestesia. Habitualmente geral, com frequência associada à peridural, conforme o procedimento e a avaliação anestésica.
  • Drenos. Na braquioplastia e na cruroplastia, o uso de drenos é rotineiro. Na abdominoplastia, os drenos são utilizados de forma seletiva, conforme a técnica e a necessidade observada durante a cirurgia.
  • Internação. Habitualmente de 24 a 48 horas, podendo variar conforme a extensão da cirurgia e a evolução clínica.

Segurança: prevenção da trombose e da embolia pulmonar

Cirurgias extensas de contorno corporal exigem atenção especial à prevenção da trombose venosa profunda e da embolia pulmonar. Por isso, cada paciente passa por uma avaliação criteriosa dos fatores de risco.

O planejamento preventivo pode envolver:

  • estratificação individual do risco de trombose e de sangramento;
  • medidas mecânicas de prevenção, quando indicadas;
  • profilaxia com medicamentos, conforme avaliação médica;
  • caminhada precoce e supervisionada;
  • orientações de mobilidade durante a recuperação;
  • orientação sobre os sinais e sintomas de possíveis complicações.

A conduta é individual: não existe um protocolo de medicamentos igual para todos.

Sinais de alerta. Falta de ar súbita, dor no peito, desmaio, ou dor e inchaço em uma das pernas exigem avaliação médica de emergência.

Recuperação

Os prazos abaixo são orientações habituais e dependem da evolução individual. Eles não são garantias, e toda liberação é dada pelo médico.

  • Caminhar. Caminhadas leves desde o primeiro dia, quando clinicamente possível, como parte da prevenção de trombose.
  • Regiões operadas. Movimentos e esforços desnecessários das regiões operadas devem ser evitados por cerca de 30 dias, conforme orientação médica. Isso é diferente de ficar parado: caminhar é estimulado, enquanto braços, coxas ou tronco operados são poupados de esforço.
  • Malhas compressivas. Habitualmente por 60 a 90 dias.
  • Cicatrizes. Protegidas com fita cirúrgica microporosa por aproximadamente 90 dias, conforme a avaliação da pele.
  • Sol. Evitar exposição solar direta nas áreas operadas por aproximadamente 60 a 90 dias.
  • Trabalho. Em cerca de 30 dias.
  • Dirigir. Em cerca de 30 dias.
  • Exercícios. Em cerca de 60 dias.
  • Retornos. Programados no consultório, com contato direto da equipe.

A recuperação costuma ser mais longa que a de uma cirurgia estética isolada. O resultado se define ao longo de meses. Resultado, recuperação e cicatrização variam de pessoa para pessoa, e retoques ou cirurgias de revisão são mais frequentes nesse grupo de pacientes.

Toda cirurgia tem riscos

É obrigação do médico informá-los, e é direito seu conhecê-los antes de decidir. Na cirurgia pós-bariátrica, alguns riscos são mais frequentes, pela extensão das cirurgias e pelas mudanças no organismo:

  • seroma (acúmulo de líquido) e hematoma;
  • abertura de pontos (deiscência) e atraso de cicatrização;
  • sofrimento ou necrose de pele, mais frequente em fumantes;
  • alterações cicatriciais, como cicatrizes alargadas, hipertróficas, queloides ou que se deslocam com o tempo;
  • assimetrias, irregularidades de contorno e sobra residual de pele;
  • inchaço prolongado, especialmente em braços e pernas;
  • alterações de sensibilidade;
  • infecção;
  • trombose venosa profunda e embolia pulmonar;
  • complicações anestésicas.

Os riscos mudam conforme a saúde, o estado nutricional, os hábitos e a extensão da cirurgia. Na consulta, eles são avaliados para o seu caso.

Atendimento e planos de saúde

O atendimento é particular. Podemos orientar sobre a documentação e a solicitação de reembolso junto à sua operadora de saúde, conforme o seu contrato, sem garantia de cobertura, autorização ou reembolso.

Na avaliação, também é feita a distinção entre os procedimentos com finalidade reparadora, quando a sobra de pele causa problemas de saúde, como assaduras e infecções de repetição, e os predominantemente estéticos, de acordo com os achados clínicos e a indicação individual.

Perguntas frequentes

Habitualmente entre 12 e 18 meses depois, com o peso estável há pelo menos 6 meses e os exames em ordem. A indicação é individual.

Em geral, não. O tratamento costuma ser dividido em etapas, com intervalo de cerca de 4 meses entre elas.

São mais longas que nas cirurgias estéticas habituais e são permanentes. O planejamento busca posicioná-las em áreas cobertas pela roupa, sempre que possível.

Não. A pele que perdeu elasticidade precisa ser retirada.

O resultado se altera. Manter o peso estável é parte do tratamento.

O atendimento é particular. Orientamos sobre documentação e pedido de reembolso, sem garantia de cobertura.

Agende sua avaliação

O primeiro contato é com a Márcia, que tira as dúvidas iniciais e agenda sua consulta com o Dr. Fernando.

Dr. Fernando Fernandes · Médico
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Responsável técnico

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